Novo cálculo do PIS/Pasep em 2026 deve reduzir beneficiários e exige atenção do empregador
- 24 de novembro de 2025
Categorias: Direito Trabalhista

A partir de 2026, o valor máximo de renda para receber o abono salarial deixará de acompanhar o salário mínimo e será corrigido apenas pela inflação. Isso deve reduzir, ano após ano, o número de trabalhadores aptos ao benefício. A alteração faz parte do pacote fiscal aprovado pelo Congresso para controlar despesas públicas.
O que muda no PIS/Pasep a partir de 2026
O abono salarial, pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos, continuará existindo, mas com uma regra de acesso diferente. Até 2025, o limite de renda era sempre “até dois salários mínimos”, o que automaticamente aumentava quando o salário mínimo subia.
A partir de 2026, esse limite deixa de seguir o salário mínimo e passa a ser corrigido somente pelo INPC (inflação). Na prática, como o salário mínimo tende a subir acima da inflação (por causa do ganho real atrelado ao PIB), o grupo de trabalhadores aptos ao benefício deve diminuir progressivamente.
O governo projeta que, por volta de 2035, só terá direito ao abono quem recebeu, no ano-base, até cerca de 1,5 salário mínimo, considerando a defasagem entre o reajuste do piso nacional e a correção apenas pelo INPC.
Importante: Os demais requisitos permanecem iguais. O trabalhador precisa ter pelo menos cinco anos de inscrição no programa, ter atuado 30 dias no ano-base, ter renda dentro do limite atualizado e estar com os dados informados corretamente pelo empregador na RAIS ou no eSocial.
O calendário oficial de pagamentos de 2026 ainda será definido pelo Codefat.
Por que essa mudança foi feita
O governo argumenta que, como o salário mínimo cresce acima da inflação, vincular o abono a esse aumento faria o programa ficar cada vez mais caro. Agora, com o limite corrigido só pela inflação, o abono se mantém atualizado pelo custo de vida, mas sem expansão acelerada dos gastos.
A lógica é concentrar o benefício nos trabalhadores de menor renda, preservando a sustentabilidade do programa.
O que empresários e gestores precisam observar
Para empresários, a mudança tem impacto direto na rotina trabalhista e tributária:
- Mais dependência da correta entrega da RAIS/eSocial
Com regras mais restritivas, qualquer erro no envio de dados pode impedir o trabalhador de receber o benefício, e isso costuma gerar atritos internos, reclamações e passivos reputacionais. - Necessidade de comunicação interna mais clara
A empresa deverá orientar seus colaboradores sobre os novos critérios para evitar expectativas equivocadas, especialmente porque muitos que antes recebiam poderão deixar de ser elegíveis. - Impacto indireto em políticas de remuneração
Negociações salariais, benefícios internos e planos de carreira podem ter maior peso, já que o PIS/Pasep deixará de ser um complemento para parte significativa da força de trabalho. - Governança trabalhista como blindagem patrimonial
Documentação organizada, entregas corretas ao eSocial e acompanhamento contábil tornam-se fundamentais para evitar multas, revisões ou questionamentos. Empresas com governança sólida lidam melhor com transições desse tipo. - Atenção para holdings operacionais e grupos econômicos
Quem administra múltiplas empresas deve alinhar processos trabalhistas e de folha, garantindo uniformidade de dados. Erros de cadastro em estruturas mais complexas são comuns.
Com regras mais rígidas, o PIS/Pasep exige ainda mais atenção das empresas. Informações precisas, governança trabalhista e comunicação interna tornam-se essenciais para evitar problemas e manter segurança jurídica na gestão de pessoal.
Fonte: g1