• INPI nega registro da marca CazéTV e acende um alerta sobre propriedade intelectual



    Entenda os impactos da decisão e a importância da proteção de marcas no ambiente digital.

    Entenda os impactos da decisão e a importância da proteção de marcas no ambiente digital.

    Em meio à Copa do Mundo, com milhões de brasileiros acompanhando os jogos pela CazéTV, uma decisão administrativa passou quase despercebida fora dos círculos jurídicos. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) indeferiu o pedido de registro da marca “CazéTV” na Classe 41, que abrange entretenimento, jornalismo, produção audiovisual e programas de televisão.

    A notícia tem valor além do noticiário esportivo. Ela expõe uma fragilidade que atinge desde o pequeno empreendedor até grupos econômicos de grande porte: o reconhecimento público de uma marca não se confunde com a sua proteção jurídica.

    Por que uma marca conhecida pode ter o registro negado

    No Brasil, a proteção marcária é organizada por classes de produtos e serviços, conforme a Classificação de Nice. O registro concedido em uma classe não garante exclusividade automática nas demais. Uma empresa pode deter registros válidos para determinada atividade e, ainda assim, encontrar impedimento ao tentar proteger o mesmo sinal em outro segmento.

    No caso da CazéTV, o pedido esbarrou em marca anterior semelhante já existente na Classe 41. A Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96) veda o registro de sinais que reproduzam ou imitem marca alheia anterior quando houver risco de confusão ou associação indevida. A análise leva em conta a semelhança gráfica, fonética e visual, somada à afinidade entre as atividades.

    O indeferimento não encerra a discussão. Cabem recursos administrativos no próprio INPI e, se necessário, a via judicial. Há ainda a possibilidade de acordos de convivência entre titulares, quando as marcas atuam em frentes que comportam coexistência. Cada caminho tem custo, prazo e grau de risco próprios, e a escolha entre eles é uma decisão jurídica e de negócio.

    O que a decisão revela sob a ótica societária

    Aqui está o ponto que interessa a quem enxerga a empresa como estrutura, e não apenas como operação. A CazéTV integra hoje um grupo com capital sofisticado e governança robusta. Mesmo nesse ambiente, o ativo que ancora boa parte do valor do negócio, a marca, carregava uma vulnerabilidade.

    Em operações de holding, fusões, aquisições e captação de investimento, os ativos intangíveis costumam receber atenção secundária. A avaliação se concentra em faturamento, contratos e patrimônio tangível, enquanto a marca aparece como linha
    acessória. A prática mostra o contrário: em negócios de mídia, tecnologia e consumo, a marca responde com frequência por parcela decisiva do valuation.

    Uma marca sem proteção adequada se converte em risco concreto:

    • Risco de valuation, quando o comprador identifica a fragilidade em due diligence e revê o preço.
    • Risco contratual, quando as garantias e declarações prestadas em contrato de comprae venda deixam de se sustentar.
    • Risco reputacional e operacional, quando a empresa se vê obrigada a reposicionar um sinal que levou anos para consolidar.

    Proteção de marca como decisão estratégica

    A análise de viabilidade marcária não pertence apenas ao momento de nascimento da empresa. Ela acompanha o ciclo de crescimento, expansão, internacionalização e, sobretudo, qualquer operação de aquisição ou investimento relevante.

    O trabalho do advogado especializado vai muito além do protocolo de pedidos. Envolve auditoria de ativos intangíveis, due diligence marcária, mapeamento de conflitos potenciais, estruturação de estratégias de coexistência e proteção preventiva do patrimônio. Envolve também a defesa do sinal, nas esferas administrativa e judicial, sempre que o direito é
    contestado.

    O que fica do caso CazéTV

    Se uma das maiores plataformas de conteúdo esportivo do país encontra obstáculo para registrar sua marca em uma classe específica, o empresário comum tem ainda menos margem para tratar o tema como detalhe.

    No SAA, tratamos a marca como parte do patrimônio da empresa, com o mesmo rigor que dedicamos à estrutura societária, ao planejamento tributário e à governança. Proteger esse ativo antes de crescer, negociar ou vender é o que separa uma expansão segura de um problema caro e evitável.

    plugins premium WordPress