Pagamentos digitais dobrarão até 2029 — e bancos correm risco de ficar para trás
- 14 de novembro de 2025
Categorias: Direito Empresarial

O mercado global de pagamentos digitais deve praticamente dobrar até 2029, alcançando US$ 3,5 trilhões. A rápida adesão às carteiras digitais e ao Pix está transformando o sistema financeiro, enquanto bancos tradicionais enfrentam o desafio de se reinventar frente às paytechs e à inteligência artificial.
Segundo o Relatório Global de Pagamentos 2026, da Capgemini Research Institute, as transações sem uso de dinheiro físico cresceram dez vezes nos últimos 17 anos. Em 2024, o volume global dessas operações chegou a US$ 1,68 trilhão — e a previsão é atingir US$ 3,54 trilhões até 2029.
Na América Latina, quase metade das transações (47%) já ocorre por meios digitais como Pix e carteiras virtuais, percentual bem acima da média global (25%). O crescimento projetado para os próximos cinco anos é de 17,4% ao ano — e, só entre 2024 e 2025, deve ultrapassar 22%.
O relatório mostra também que 40% dos pequenos e médios empresários nas Américas pretendem migrar de bancos para paytechs — empresas de tecnologia financeira — em busca de soluções mais rápidas e personalizadas.
As chamadas carteiras digitais estão divididas em dois modelos:
Pass-through, que armazenam cartões digitais, como Apple Pay e Google Pay.
Close loop, oferecidas por grandes varejistas como iFood, Uber e Starbucks, com benefícios próprios e fidelização.
A popularização desses meios ocorre por dois motivos centrais: vantagens ao consumidor (cashback, recompensas, conveniência) e uso de dados pelos comerciantes, que passam a entender melhor o comportamento de compra de seus clientes.
No Brasil, o Pix segue como o grande protagonista, impulsionando a inclusão financeira e garantindo segurança com a chancela do Banco Central. Mesmo com o avanço das paytechs, especialistas afirmam que elas precisam integrar o Pix às suas plataformas para permanecer competitivas.
Entretanto, os bancos tradicionais enfrentam um dilema: dependem de estruturas fragmentadas e lentas. As áreas de contas, crédito e maquininhas de pagamento, por exemplo, funcionam separadamente, o que prejudica a visão integrada do cliente.
O relatório alerta que instituições financeiras que continuam presas a modelos baseados em tarifas e cartões correm risco de perder receita e dados estratégicos. O dinheiro está migrando para carteiras digitais, pagamentos instantâneos e sistemas em tempo real.
Além disso, a inteligência artificial generativa (GenAI) já é um divisor de águas. Cerca de 60% das paytechs utilizam IA para otimizar operações e entender o comportamento do usuário — contra apenas 41% dos bancos. Essa diferença tende a ampliar a vantagem competitiva das fintechs, que são mais ágeis na implementação tecnológica.
O movimento global é claro: pagamentos digitais deixaram de ser tendência e se tornaram infraestrutura básica. Para empresários e gestores, isso significa duas coisas:
Integração tecnológica é inevitável. Empresas que ainda dependem exclusivamente de bancos tradicionais devem diversificar suas soluções de recebimento, incorporando Pix, carteiras digitais e gateways automatizados.
Os dados são o novo ativo financeiro. Ao controlar informações sobre o comportamento de consumo, o empresário ganha vantagem competitiva — seja para fidelizar clientes, ajustar preços ou planejar fluxo de caixa.
Para os bancos e gestores financeiros, o alerta é urgente: sem investir em IA, integração de dados e parcerias com paytechs, a margem de lucro tende a encolher rapidamente. Já para holdings, grupos empresariais e investidores, o cenário abre espaço para aquisições estratégicas de fintechs e novos modelos de negócios financeiros.
O avanço dos pagamentos digitais redefine a forma de fazer negócios e exige que empresas adotem gestão estratégica e segurança jurídica para acompanhar o ritmo tecnológico. Quem dominar os dados e a experiência do cliente, dominará o novo sistema financeiro.
Fonte: InfoMoney / Capgemini Research Institute.