Redução da jornada 6×1 pode adicionar R$ 267 bilhões em custos às empresas, alerta CNI
- 23 de fevereiro de 2026
Categorias: Direito Empresarial

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a proposta de acabar com a jornada 6×1, reduzindo a semana de trabalho de 44 para 40 horas, pode elevar os custos das empresas brasileiras em até R$ 267,2 bilhões por ano. A mudança em debate no Congresso tende a afetar especialmente micro e pequenas empresas e setores intensivos em mão de obra.
A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, proposta em projetos que estão sendo discutidos no Congresso Nacional, pode ter impacto econômico significativo para as empresas. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), essa alteração teria potencial de elevar os custos com mão de obra em até R$ 267,2 bilhões por ano no Brasil.
Esse aumento representa até cerca de 7% a mais na folha de pagamentos das empresas se elas quiserem manter os níveis atuais de produção. Para compensar a redução de horas, as empresas teriam duas opções: pagar mais horas extras ou contratar mais funcionários, e em ambos os casos os custos subirão.
A estimativa de custos varia entre os diferentes setores da economia. Na indústria, por exemplo, o adicional pode chegar a mais de 11% da folha salarial. Setores como construção civil, comércio e agropecuária também estariam entre os mais afetados.
Além disso, micro e pequenas empresas, que representam mais da metade dos empregos formais do país, tendem a sentir o impacto com mais força, dado que têm menos flexibilidade para ajustar equipes ou absorver maiores pagamentos com horas extras.
Para empresários, gestores e investidores, esse cenário exige cautela e planejamento antecipado:
Custos trabalhistas: Empresas devem recalcular projeções de remuneração considerando possíveis aumentos de folha. Cenários com maior uso de horas extras ou novas contratações têm impactos diferentes nas margens operacionais.
Competitividade e preço de produtos: Custos adicionais podem pressionar preços, afetando competitividade frente ao mercado doméstico e global. Estratégias de eficiência e produtividade passam a ser ainda mais críticas.
Estrutura de pessoal: Negócios com mão de obra intensiva precisam avaliar se estruturas organizacionais atuais suportam a transição sem comprometer operações ou lucratividade.
Governança e governança jurídica: É importante revisar contratos de trabalho, acordos coletivos e políticas internas de jornada. Também vale considerar mecanismos de blindagem patrimonial e consultoria especializada em direito trabalhista para minimizar riscos legais e financeiros.
Cenários alternativos: Promover negociação coletiva e pactos com sindicatos pode ser uma alternativa para flexibilizar ajustes de jornada sem prejuízo excessivo.
O debate sobre o fim da escala 6×1 tem potencial para gerar efeitos relevantes sobre o custo da mão de obra e a competitividade das empresas brasileiras. Antecipar-se com planejamento estratégico e assessoria jurídica sólida pode reduzir riscos e blindar negócios contra impactos adversos.
Fonte: Gazeta do Povo